O painel que finalizou o IV SICO (9/11) foi marcado por grandes emoções. As professoras da UFMG dos grupos de pesquisa Afetos (Camila Mantovani, Sônia Pessoa) e Eme (Regiane Garcêz) e Coragem (Laura Guimarães), mediadas por Márcio Simeone, apresentaram um painel sobre “Comunicação organizacional e promoção dos direitos humanos na UFMG”.

As discussões principais giraram em torno da acessibilidade e diversidade dentro da universidade, da pesquisa e das ações práticas na sociedade de modo geral. Camila Mantovani iniciou o painel apresentando o grupo de pesquisa Afetos, que leva esse nome a partir da teoria dos afetos e da necessidade que a universidade possui de afetar positivamente a sociedade.

Os principais estudos do grupo buscam incluir as pessoas com deficiência e pessoas que possuem familiares com deficiência e carregam a máxima “nada sobre nós sem nós“, explicou Camila. A professora Sônia Pessoa, que pertence ao mesmo grupo, deu continuidade ao painel com um relato pessoal e uma provocação sobre as barreiras físicas e atitudinais e sobre a real preocupação das organizações em se tornarem hospitaleiras para acolherem a diversidade.

Sônia ressaltou que em todo o tempo são colocadas barreiras, em lugar de reflexões e ações práticas, e que constantemente existe o sentimento de impotência frente a isso. “Mas não podemos nos deixar levar por essa
impotência“, frisou Sônia, que tocou ainda mais profundamente os participantes do evento ao citar o exemplo de uma aluna cadeirante de Formação Transversal e a da falta de preparo de todos para lidar com o diferente. Outra crítica feita pela professora foi quanto às pesquisas não engajadas, que objetificam os sujeitos e deslocam as responsabilidades. A partir disso, ela apontou a necessidade de deslocar os estudos da universidade para a vida cotidiana.

Laura Guimarães relembrou sua bagagem e trajetória dentro da comunicação para explicar a necessidade da criação do grupo de pesquisa Coragen (Comunicação, Raça e Gênero). Através do olhar publicitário, o grupo analisa
peças, representação e protestos visuais, com aporte teórico de autores que priorizam a experiência (diversas vezes pessoal). A provocação feita pela professora foi de pensar não somente no que sujeito diz e faz com a publicidade,
mas no que a publicidade faz com o sujeito.

Por último, a professora Regiane, do Eme, demonstrou práticas que se comprometem verdadeiramente com a acessibilidade e que começaram dentro da UFMG. No entanto, ela ainda apontou muitos desafios que são encontrados no dia a dia, apesar dos grandes avanços que já ocorreram, como o início da inclusão de alunos surdos na universidade, já que de 2016 até hoje o número passou de zero para seis alunos. Uma das práticas mais importantes apresentadas foi a criação de uma disciplina de acessibilidade e comunicação que estimulava que os alunos desenvolvessem inovações na forma de pensar a acessibilidade. Para o grupo de pesquisa Eme, a pesquisa deve sempre gerar uma ação e por isso estão sendo desenvolvidas ações para a próxima Mostra de Profissões da
UFMG.

O ponto alto do painel foram as manifestações dos participantes do evento, que se mostraram realmente sensibilizados e emocionados com o assunto. Diversos elogios foram direcionados às professoras e aos grupos de pesquisa, mas também foram feitos apelos para a inclusão de outros assuntos, como a “gordofobia”, nas pesquisas. Com as discussões, percebe-se muitos avanços dentro da universidade, mas um horizonte de muito trabalho pela frente. E o que fica para todos os profissionais de comunicação é o senso de responsabilidade no trabalho dentro e fora das organizações.

Por: Mariana Morato

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