Na sequência dos trabalhos deste último dia de IV SICO, sexta-feira (9/11), a mesa-redonda 4, “Direitos humanos em contexto: interfaces e desafios”, contou com a participação de Cleusa Maria Andrade Scroferneker (PUC-RS) e João José de Azevedo Curvello (UnB) e mediação de Maria Aparecida Ferrari (USP).

Cleusa Maria Andrade Scroferneker (PUC-RS) apresentou uma pesquisa que vem sendo desenvolvida junto à contribuição de duas de suas orientandas, Luciana Buksztejn Gomes e Fernanda Luz Moraes. Scroferneker enfatizou que a definição de assédio moral e assédio moral organizacional pode variar conforme os diversos autores que se debruçam sobre o tema, e que os modelos e relações organizacionais podem produzir violações de direitos humanos protagonizadas, na maioria das vezes, por gestores institucionalizados. “A busca pelo aumento da produtividade ou de engajamento pode ser usada como justificativa para ações, sutis ou explícitas, individuais ou coletivas, de políticas de gestão organizacional que levam a violações aos direitos humanos, como os monitoramentos abusivos
e a pressão por metas”, afirmou a pesquisadora.

João José de Azevedo Curvello (UnB) ressaltou os paradoxos existentes quando são considerados os direitos humanos na organização e na comunicação organizacional. “A discussão sobre direitos humanos pode se dar em diversas perspectivas. A perspectiva universalista, que entende que existe uma categoria chamada de “humano” na qual se reconhece direitos a todos os que são humanos, se choca com a perspectiva comunitária, na qual teriam a prerrogativa de usufruir direitos aqueles em um determinado território. É um paradoxo”, refletiu
o pesquisador. “E nas organizações? Uma vez que elas são autorreferentes, também estabelecem suas necessidades e fronteiras, a exemplos dos Estados-nações. Os discursos organizacionais e o cotidiano das organizações impõem aos gestores perspectivas instrumentais, que podem colocar aqueles que estão em diálogo com a organização em posições de subalternidade e exclusão a partir de discursos de inclusão. O mercado e os Estados-nações acabam definindo o que é “ser humano””, provocou Curvello.

Experiências intensas de aprendizado e comunicação como processo permanente de facilitação de fluxos

Maria Aparecida Ferrari (USP) ressaltou que a comunicação existe quando se intersecciona com outros campos do conhecimento, como filosofia, administração, educação e sociologia, e que o IV SICO está sendo um rico espaço de aprendizagem. “Temos até aqui um acúmulo muito rico de contextos e interfaces e estamos aprendendo muito com todos. Existe muita sintonia entre as temáticas e mesas”, elogiou a pesquisadora da USP.

Recolhendo alguns elementos colocados em discussão durante o IV SICO, Ferrari enfatizou que os tempos atuais são de precarizações diversas, como as que estão ocorrendo no mundo do trabalho, e que, mais do que colocar ordem no
caos e oferecer respostas, a comunicação deve atuar como consultora. “O adoecimento das pessoas nas organizações está ligado a um modelo de empresa e organização que está doente. Se a doença está no modelo, como a
comunicação irá oferecer o remédio? As pessoas estão entrincheiradas nas organizações. Como comunicar a alguém que está entrinhceirado? Mais do que oferecer respostas, a comunicação deve agir como consultora”, disse Maria Aparecida Ferrari.

Por: Carolina Brauer

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