Dando sequência aos trabalhos do IV SICO, a mesa-redonda 2, “Direitos Humanos em Contexto: Comunicação Organizacional, Violência e Ativismo”, que aconteceu hoje, quinta-feira (8/11), contou com a participação de Márcio Simeone (UFMG) e Ricardo Ferreira Freitas (UERJ) e mediação de Daniel Reis Silva (UFSM).

Abordando a cidade do Rio de Janeiro (RJ) como marca, a partir dos mega eventos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos), Ricardo Ferreira Freitas abordou as diferenças em narrativas oficiais internacionais e as “outras faces da Marca-Rio”. O pesquisador também destacou conceitos como branding urbano e o papel da comunicação em processos como gentrificação das cidades participantes dos megaeventos.

A partir de relatos sobre duas mulheres, uma estrela em ascensão do funk carioca e uma catadora de lixo, Ricardo chamou a atenção para a glamourização da pobreza a ser consumida como parte da “Marca-Rio”, tanto pela naturalização da erotização quanto da extrema-pobreza. “São dois consumos de corpos de mulheres que querem “vencer” e são apresentadas como “empreendedoras”. Como pesquisador, não tenho a arrogância de dizer que tenho soluções para elas. Se colocar no lugar do outro é difícil. A crítica é sobre a e sobre as diferenças entre as narrativas oficiais, a glamourização da pobreza e a naturalização da docilização dos corpos”, pontuou Ricardo Ferreira Freitas.

Já Márcio Simeone apresentou reflexões relativas a tensões e disputas entre posicionamentos relativos aos direitos humanos em termos de governança e responsabilidade social e de condições de vigilância civil das organizações.
Segundo Simeone, a existência de marcos normativos não implica necessariamente na observação dos direitos humanos pelas organizações, independentemente do tamanho delas. “Em 1999, com o Pacto Global, a ONU
estabeleceu normas relacionadas às organizações, para que respeitassem legislações nacionais e internacionais ligadas aos direitos humanos. Mas essas normas foram severamente rechaçadas por algumas organizações e Estados”, disse o professor da UFMG.

De acordo com Simeone, após a contratação de uma consultoria pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005 para lidar com a contenda, foi apresentada, em 2008, uma proposta de regulação em torno do tema. Contudo,
foi só no ano de 2011 que a ONU definiu o dever que as organizações têm de não desrespeitar os direitos humanos, independentemente do tamanho dessas organizações.

Marcos Simeone destacou também que o conceito de governança costuma envolver uma concepção do protagonismo das organizações maior até do que o de alguns Estados, o que faz com que a fiscalização e o controle da observância
aos direitos humanos pelas organizações estejam colocados em função dos parâmetros de mercado. “As questões trabalhistas e socioambientais são as mais controversas relacionadas às violações dos direitos humanos. Muitas vezes, essas violações são de difícil visualização, o que tende a dificultar a atribuição de responsabilidades em um campo mais amplo. Apenas a condição de visibilidade não implica na não-violação dos direitos humanos”, disse o pesquisador.

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Por: Carolina Brauer

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