Na manhã da quinta-feira (7/11), segundo dia de IV SICO, a mesa-redonda 1, “Direitos humanos em contextos organizacionais”, contou com a participação de Ivone de Lourdes Oliveira (PUC Minas) e Rennan Mafra (UFV) e mediação de Claudia Moura (PUC-RS).

Ivone Lourdes de Oliveira, do grupo de pesquisa “Comunicação no contexto organizacional: aspectos teórico-conceituais (DIALORG)”, apresentou informações sobre uma pesquisa que vem sendo realizada ao longo deste ano sobre as disputas de sentido que envolvem mineradoras e instâncias de vigilâncias e controle sociais. Essa pesquisa utiliza um modelo analítico desenvolvido por Márcio Simeone (UFMG), contemplando análise das práticas
discursiva, local e textual.

A pesquisadora enfatizou que a disputa entre as marcas discursivas que envolvem as atividades das mineradoras intensificaram-se com o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), que aconteceu no ano de 2015,
expondo as contradições em torno dessas atividades e gerando mobilizações da sociedade civil. “A mineração gera riquezas, mas também provoca impactos intensos. É importante entender como esses grupos que sofrem os impactos diretos da mineração organizam-se para enfrentar essa mineração. É preciso não só ver os aspectos da indústria nesse processo, mas também ver esses “outros”, que são sujeitos de direitos”, lembrou Ivone Lourdes.

Rennan Mafra, do grupo de pesquisa “Discursos e Estéticas da Diferença (DIZ)”, apresentou reflexões sobre as tensões existentes entre as diferenças constituintes dos sujeitos e a “ideologia do progresso”, com base em autores
como Claude Lefort, Hannah Arendt e Walter Benjamin. Rennan ressaltou que os ambientes organizacionais são marcados pela racionalização que instrumentaliza, limita, padroniza e objetifica o sujeito. Mas essa ideologia do progresso teria silenciado as possibilidades históricas de ressignificação do passado, diminuindo os enunciamentos necessários para o reconhecimento das diferenças inerentes à existência.

De acordo com Rennan, sem a enunciação dessas diferenças constituintes das pessoas, não há como ressignificar as histórias individuais e coletivas, atitude necessária para a percepção da abertura de novos horizontes. “Na ideologia do progresso, reconhece-se a diferença apenas quando ela é útil. Democracia é mais do que um conjunto de instituições, é uma economia sentimental. A gente só se redime se pudermos dizer das nossas diferenças”, disse.

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Por: Carolina Brauer

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